A maldição que assombra o Grammy
Por que ganhar o prêmio de Artista Revelação se tornou uma faca de dois gumes?
Hoje acontece a 68ª edição do Grammy e, sem dúvidas, uma das categorias mais esperadas da premiação, além de Álbum do Ano, é a de Artista Revelação — ou Best New Artist, como preferir. Me imaginando no lugar do artista, deve ser uma sensação indescritível ganhar um prêmio de renome logo no início da sua carreira. No entanto, nesse caso em específico, o que parece um sonho pode se tornar um pesadelo.
Há todo um misticismo em volta dessa categoria. Alguns apontam até para uma “maldição”. Isso porque o Best New Artist, que supostamente deveria servir como um termômetro sobre os nomes que veremos ganhar força na indústria fonográfica nos próximos anos, tem muito mais falhas do que acertos. São poucos os que recebem o gramofone e depois conseguem firmar uma carreira.
Artistas como Britney Spears, Taylor Swift, Erykah Badu, Fiona Apple, Paramore e SZA chegaram a concorrer em Artista Revelação assim que surgiram no mercado e, por incrível que pareça, não ganharam. A Erykah Badu, por exemplo, perdeu para a Paula Cole. Você lembra quem é ela? Pois é…
Seria bem melhor se a “maldição” ficasse apenas no quesito profissional. Na verdade, segundo a teoria que roda a internet, essa praga chega a impactar até a saúde dos que vencem o prêmio. É o caso do Bobby Darin, o primeiro Artista Revelação. Ele teve uma morte precoce, aos 37 anos, apenas alguns anos depois de levar a estatueta para casa.
Quem também teve um fim mais cedo do que o esperado foram os Beatles. A banda, que recebeu a honraria em 1965, se separou cinco anos depois e, em seguida, houve o assassinato de John Lennon. Ainda falando em grupos, os Carpenters tiveram um destino parecido, visto que a vocalista feminina faleceu uma década após receber o prêmio. Isso tudo sem contar o caso da Amy Winehouse, que dispensa apresentações.
Para além da má sorte, há outros motivos pelo qual a categoria é vista com ressalvas. Com o passar dos anos, o Best New Artist foi acumulando várias polêmicas. Um exemplo foi em 1990, quando o duo alemão Milli Vanilli saiu vitorioso, mas logo depois descobriram que os vocalistas não cantavam de verdade. Isso fez a Academia tomar a medida drástica de revogar o prêmio.
Outro episódio aconteceu em 2014. Para muitos, esse se trata do episódio mais injusto da história da premiação. Na época, concorriam ao prêmio a estrela do country Kacey Musgraves, o rei das baladas Ed Sheeran e o rapper Kendrick Lamar. Mas adivinha quem venceu? A dupla Macklemore & Ryan Lewis, que, desde então, nunca mais lançou nada em conjunto. O próprio Macklemore questionou a vitória, afirmando publicamente que estava torcendo para o Kendrick.
Mas claro que não é só de erros que vive o Grammy... Para ser justo, muita gente interessante já teve seu momento Artista Revelação. Estou falando de nomes como Mariah Carey, Lauryn Hill, Sam Smith e Adele. Porém, quando todos esses casos se juntam, fica difícil não acreditar que a categoria tem algo que não cheira bem.
Felizmente, isso está mudando. A partir de 2019, com as mudanças no corpo de votantes da Academia, o prêmio de Artista Revelação voltou a se alinhar com sua proposta original. Naquele ano, foi Dua Lipa quem levou a melhor — um baita acerto, já que ela, de fato, conseguiu se firmar na mídia. Enquanto isso, nos anos seguintes, levaram o gramofone para casa Billie Eilish, Megan Thee Stallion, Olivia Rodrigo, Victoria Monét e Chappell Roan.
Essas vitórias recentes nos fazem acreditar que essa “maldição” ficou lá no passado, o que deixa o caminho aberto para os novos concorrentes. Neste ano, disputam o título Olivia Dean, Addison Rae, Sombr, Leon Thomas, Katseye, Lola Young, The Marías e Alex Warren. Para quem vai a sua torcida?
Pop ou flop
É pop... a música “Só Pra Tu”, parceria da Anitta com Viviane Batidão. Pelo segundo ano consecutivo, a brasileira lançou suas apostas para o Carnaval no álbum “Ensaios”. No meio de algumas faixas angustiantes, há acertos que justificam a existência desse projeto. No ano passado, foi a hilária “Capa de Revista”; dessa vez, quem ocupa o cargo é a canção em parceria com a paraense. Já considero uma das melhores surpresas desse verão!
É flop... o novo álbum da Madison Beer. Sobre a produção, não tem o que falar: está no ponto. O problema aqui é a vocalista. É difícil não vê-la além de um produto embalado quando não há nada de especial para falar de sua música. Qualquer uma das faixas poderia ser cantada por qualquer outra artista e não faria diferença alguma no resultado final. Infelizmente, Madison não tem o carisma necessário para emplacar no pop. É um caso parecido ao do Jonas do “Big Brother Brasil”, que reclama por não conseguirem enxergá-lo além da beleza, mas não tem nada a entregar além disso.
Descobrindo
Você já conhece, este é o espaço que te recomendo coisas que você não me pediu:
uma música: 404 (New Era) (2026), de KiiiKiii
um álbum: COLAPSO GLOBAL (2026), de Teto & WIU
um filme: Lurker (2025), do Alex Russell
Agora é a hora de usar a caixa de comentários para me dizer o que achou desta edição. Ah, e não se esqueça de seguir o Desvendando (@desvendandopop) no Instagram! Também estamos no TikTok e no Twitter.








Desses mais recentes, acredito que só a Victoria Monet não seja tãooo conhecida pelo mainstream. Também acho que essa maldição tem ficado no passado